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O que eu mudei para resolver:

 


Mendonça no Grêmio: a breve passagem de um grande camisa 10 em meio ao ano mais sombrio do Olímpico

Em meio ao ano mais traumático da história do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, um nome consagrado do futebol brasileiro passou quase despercebido pela memória coletiva tricolor. Milton da Cunha Mendonça, ídolo eterno do Botafogo e um dos camisas 10 mais técnicos de sua geração, vestiu a camisa gremista em 1991 numa tentativa extrema de frear um destino que, àquela altura, já parecia selado.

Foram apenas quatro jogos e um único gol. Estatisticamente irrelevante. Historicamente, porém, carregado de significado. A curta passagem de Mendonça pelo Olímpico é um retrato fiel do colapso estrutural, técnico e institucional vivido pelo clube naquele ano.


Um craque veterano em meio ao caos gremista

Quando Mendonça desembarcou em Porto Alegre, tinha 35 anos e um currículo respeitável no futebol brasileiro. Dono de técnica refinada, leitura de jogo acima da média e chute preciso, construiu sua reputação principalmente no Botafogo, onde foi protagonista entre as décadas de 1970 e 1980.

Sua chegada ao Grêmio, no entanto, não fazia parte de um projeto esportivo estruturado. Diferentemente de contratações planejadas, Mendonça foi um recurso emergencial, quase simbólico, em um clube que buscava soluções imediatas para um problema que já se mostrava profundo.

À frente da gestão estava o presidente Rafael Bandeira dos Santos, que, pressionado por resultados e por um campeonato que escapava rodada após rodada, passou a apostar em nomes experientes como tentativa de reação. Mendonça foi uma dessas apostas tardias — assim como outras decisões que evidenciavam um Grêmio sem planejamento, sem rumo e sem estabilidade interna.




O único gol: Aflitos, 7 de abril de 1991

O único gol de Mendonça com a camisa do Grêmio aconteceu longe de Porto Alegre. Foi no Estádio dos Aflitos, em Recife, no dia 7 de abril de 1991, contra o Náutico, pelo Campeonato Brasileiro.

A derrota por 3 a 1 resume com precisão aquele momento do clube. Mendonça marcou o gol gremista, mas o placar jamais esteve sob controle. Não houve comemoração efusiva, nem sensação de virada iminente. Foi um gol solitário, quase melancólico, em meio a uma campanha que caminhava de forma inexorável para o rebaixamento.

Hoje, esse gol carrega mais valor simbólico do que esportivo. Representa a última tentativa de reação de um gigante já profundamente ferido, que tentava se sustentar com lampejos individuais enquanto o coletivo desmoronava.




1991: do auge recente ao fundo do poço

Para quem não viveu aquele período, é difícil compreender como o Grêmio chegou a 1991 em tal situação. O contraste é brutal. O clube vinha de um hexacampeonato gaúcho (1985–1990) e de um terceiro lugar no Brasileirão de 1990, consolidando-se como uma das forças nacionais.

Apesar disso, os sinais de desgaste já estavam presentes. Problemas financeiros, elenco envelhecido, decisões administrativas equivocadas e falta de renovação técnica começaram a cobrar seu preço. O jornal Zero Hora, ainda no início da temporada, chegou a alertar para o risco de colapso estrutural — um aviso ignorado por grande parte da torcida e da própria direção.

Os números daquele ano são devastadores:

Rebaixamento no Campeonato Brasileiro, com apenas 3 vitórias em 19 jogos

Perda da hegemonia no Campeonato Gaúcho

Eliminação na Supercopa

Vice-campeonato da Copa do Brasil, perdido para o Criciúma após dois empates (1×1 no Olímpico e 0×0 no Heriberto Hülse)

Esse último episódio, em especial, escancarou o paradoxo de 1991: um time capaz de chegar a uma final nacional, mas estruturalmente frágil demais para sustentar-se ao longo da temporada.


O golpe final em Niterói

A queda foi sacramentada no dia 19 de maio de 1991, contra o Botafogo, no estádio Caio Martins, em Niterói. A derrota confirmou matematicamente o rebaixamento e colocou o Grêmio, pela primeira vez em sua história, na Série B do Campeonato Brasileiro de 1992, ao lado do Vitória.

Para muitos torcedores, aquele jogo simbolizou o fim de uma era. O Grêmio dominante do Sul do país, respeitado nacionalmente, simplesmente havia deixado de existir.


Mendonça como símbolo de um Grêmio sem chão

A passagem de Mendonça pelo Grêmio não deve ser analisada apenas pelos números frios. Ela representa um clube que, em desespero, tentou sobreviver por meio de remendos, apostando em nomes consagrados quando o problema era muito mais profundo do que qualquer reforço individual poderia resolver.

Não foi culpa de Mendonça. Nunca foi. Ele chegou quando o destino já estava praticamente escrito. Sua presença, hoje, funciona como um marco histórico silencioso: o último brilho isolado antes da queda definitiva.

Relembrar essa história não é abrir feridas, mas compreender o processo da queda para entender a reconstrução. O fundo do poço de 1991, paradoxalmente, foi o ponto de partida para o Grêmio que aprenderia a se reinventar, a valorizar estrutura, identidade e resiliência — características que, anos depois, voltariam a definir sua grandeza.



O que eu mudei para resolver:

Grêmio x Huracán 1975 Estádio Olímpico

O dia 27 de fevereiro de 1975 ocupa um lugar definitivo na memória do torcedor do Grêmio. Em uma noite abafada de verão no antigo Estádio Olímpico, o Tricolor protagonizou uma das maiores atuações internacionais de sua trajetória ao vencer o Huracán, da Argentina, por impressionantes 7 a 2.

Não se tratava de um adversário qualquer. O Huracán atravessava um de seus períodos mais fortes, reunindo craques como René Houseman e Miguel Ángel Brindisi. O que se viu naquela noite foi uma afirmação internacional do Grêmio, moldado pelo técnico Ênio Andrade.

Um primeiro tempo avassalador

O domínio gremista foi imediato. Entre os 18 e 22 minutos do primeiro tempo, o jogo pegou fogo com quatro gols em sequência. O Tricolor foi para o intervalo vencendo por 5 a 1, deixando a equipe argentina atordoada com a intensidade imposta em Porto Alegre.

Destaque da partida: O meia Neca foi o grande nome da noite, balançando as redes três vezes e comandando o setor ofensivo ao lado de ídolos como Tarciso e Loivo.

Escalações de Luxo

O Grêmio foi a campo com: Picasso; Vilson, Ancheta, Beto Bacamarte e Jorge Tabajara; Cacau, Neca e Iúra; Zequinha, Tarciso e Loivo.

Já o Huracán contou com nomes pesados, como o goleiro Agustín Cejas (que viria a jogar no Grêmio no ano seguinte) e o volante Miguel Ángel Russo, hoje treinador renomado no futebol sul-americano.

O legado da goleada

Mais do que um simples amistoso, o 7 a 2 simbolizou a maturação de um elenco que começava a construir a mentalidade copeira. Vitórias desse porte ajudaram a consolidar o respeito continental que o Grêmio ostenta até hoje.

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Jogadores do Grêmio antes da partida contra o Emelec no Equador

Um Grêmio além das fronteiras: a excursão internacional de 1953/54 e o nascimento de uma identidade copera

Entre o final de 1953 e o início de 1954, o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense viveu uma das experiências internacionais mais significativas de sua história. Durante mais de um mês fora do Brasil, o clube excursionou por México, Equador e Colômbia, enfrentando equipes tradicionais e até seleções nacionais em um período no qual viagens internacionais eram raras, longas e repletas de desafios logísticos.

Mais do que resultados esportivos, a excursão representou um passo decisivo na afirmação do Grêmio como clube competitivo fora do país, contribuindo para a construção de uma identidade internacional que, décadas depois, se consolidaria no imaginário do torcedor tricolor.


O início da excursão e o desafio de jogar fora do Brasil

A jornada teve início em 13 de dezembro de 1953, com vitória sobre o Necaxa, no México, e se estendeu até o fim de janeiro de 1954, já em solo colombiano. À época, o futebol sul-americano ainda vivia de intercâmbios pontuais, e excursões prolongadas como essa eram encaradas quase como aventuras institucionais.

O Grêmio não apenas aceitou o desafio como se impôs tecnicamente em boa parte dos confrontos, chamando a atenção da imprensa local e de grandes públicos.


Domínio no México e partidas diante de grandes públicos

O México foi o principal palco da excursão. Em pouco mais de dez dias, o Grêmio disputou quatro partidas consecutivas, manteve-se invicto nesse período inicial e enfrentou adversários de peso, incluindo a Seleção Mexicana.

O ponto alto ocorreu em 27 de dezembro de 1953, um domingo, quando o Tricolor enfrentou o Deportivo Toluca, na Cidade do México, no Estádio Olímpico dos Insurgentes, diante de cerca de 60 mil torcedores — o maior público da excursão em território mexicano.

A expectativa era elevada. O Grêmio já acumulava bons resultados e começava a ser tratado como uma atração internacional.


Grêmio x Toluca: equilíbrio, drama e decisões controversas

Sob o comando de Telêmaco Frazão de Lima, nome histórico do clube, o Grêmio entrou em campo com uma formação experiente, mesclando jogadores consagrados e atletas que marcariam época.

O início foi de forte pressão mexicana. O zagueiro Pipoca e o goleiro Sérgio Moacyr foram decisivos nos primeiros minutos, segurando o ímpeto adversário, cenário agravado pela saída precoce do centroavante Victor, lesionado aos 20 minutos.

Com o passar do tempo, o jogo se equilibrou, muito em função da qualidade técnica de Noronha, recém-retornado ao clube após passagem destacada pelo São Paulo e integrante da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1950.

Aos 44 minutos do primeiro tempo, Noronha cobrou falta com precisão, encontrando Tesourinha, que marcou de cabeça e colocou o Grêmio em vantagem. O gol ocorreu pouco depois de um pênalti claro não assinalado, quando o goleiro Tello derrubou Camacho.


Segundo tempo intenso e um empate com sabor de frustração

Na etapa final, o Toluca promoveu alterações e intensificou a pressão. Um dos jogadores que entraram, Candia, acertou a trave aos 12 minutos e, no rebote, empatou a partida.

O Grêmio respondeu com mudanças próprias. Itamar, poupado inicialmente, substituiu Torres e recolocou o Tricolor em vantagem aos 25 minutos: 2 a 1.

Pouco depois, o goleiro Sérgio Moacyr se lesionou, obrigando a entrada de Wilson. Já aos 43 minutos, em cobrança de escanteio, Wilson saiu para socar a bola, mas sofreu carga clara do atacante Carus. A arbitragem nada marcou, a bola entrou e decretou o empate em 2 a 2, encerrando uma partida marcada por decisões controversas.


Nova polêmica e críticas à arbitragem no duelo contra o Atlante

Dias depois, nova controvérsia marcou a excursão. Na derrota por 1 a 0 para o Atlante, o presidente gremista Saturnino Vanzelotti foi público ao criticar a arbitragem.

Segundo o dirigente, o árbitro Gonzalez Palafox favoreceu os mexicanos e permitiu excesso de violência em campo, apesar da disponibilidade de árbitros ingleses para conduzir o confronto. Vanzelotti afirmou que o Grêmio sabia perder, mas não aceitava arbitragens parciais, evidenciando o clima de tensão vivido em alguns momentos da viagem.


Resultados da excursão internacional do Grêmio (1953/54)

Tour pelo México

13/12/1953 – Grêmio 4 x 0 Necaxa

16/12/1953 – Grêmio 2 x 1 CD Marte

20/12/1953 – Grêmio 3 x 3 Seleção do México

23/12/1953 – Grêmio 3 x 1 América

27/12/1953 – Grêmio 2 x 2 Toluca

30/12/1953 – Grêmio 0 x 1 Atlante

03/01/1954 – Grêmio 1 x 1 Tampico

10/01/1954 – Grêmio 0 x 0 Guadalajara

Amistosos no Equador

13/01/1954 – Grêmio 2 x 1 Emelec

17/01/1954 – Grêmio 2 x 1 Barcelona de Guayaquil

Torneio em Bogotá, Colômbia

24/01/1954 – Grêmio 1 x 5 Millonarios

27/01/1954 – Grêmio 0 x 0 Santa Fé

31/01/1954 – Grêmio 3 x 3 Rampla Juniors


Jogadores que representaram o Grêmio na excursão

Goleiros: Sérgio Moacyr, Wilson
Zagueiros: Altino, Nílson, Pipoca, Hugo Seelig
Médios: Roberto, Noronha, Mauro, Zé Ivo, Sarará
Atacantes: Tesourinha, Delém, Victor, Mujica, Alvim, Itamar, Camacho, Júlio Torres


Um legado que atravessou décadas

A excursão de 1953/54 foi muito mais do que uma sequência de amistosos. Representou um marco simbólico da internacionalização do Grêmio, em uma época em que poucos clubes brasileiros se aventuravam fora do país por períodos tão longos.

Entre arbitragens hostis, gramados desconhecidos e viagens exaustivas, o Imortal deixou sua marca na América do Norte e no norte da América do Sul. Foi nesse contexto, muito antes das grandes taças continentais, que o Grêmio começou a construir o DNA competitivo e copero que se tornaria uma de suas principais marcas ao longo da história.

🔵 Sobre o Acervo Grêmio Copero

Este conteúdo faz parte da restauração histórica do antigo site Grêmio Copero , preservando textos, registros e memórias do futebol tricolor que marcaram época na internet.

Hoje, o projeto segue vivo e ampliado através do Grêmio Copero Histórico , que é o sucessor oficial desta iniciativa e continua produzindo conteúdo atualizado, análises, história e cobertura completa do Grêmio.

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A definição do primeiro uniforme do Grêmio segundo a ata de fundação

No dia 30 de setembro de 1903, pouco mais de duas semanas após a fundação do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, foi realizada uma reunião decisiva para definir oficialmente as cores e o desenho do primeiro uniforme do clube. As informações apresentadas neste artigo baseiam-se na ata registrada naquele encontro, documento histórico que descreve com precisão como os jogadores deveriam se apresentar.

Segundo o registro oficial, ficou estabelecido que os atletas utilizariam boné, calções e meias pretas, além de gravata branca, botinas claras e camisas com listras horizontais nas cores azul e havana, complementadas por uma faixa branca na altura da cintura. O uniforme ainda não trazia o distintivo do clube, embora este já estivesse em fase de concepção.

É importante destacar que este texto trata do uniforme fundacional descrito em documento oficial, conceito que pode diferir de interpretações posteriores relacionadas ao primeiro uniforme efetivamente utilizado em partidas.


O boné no futebol do início do século XX: proteção e costume

A presença do boné no uniforme pode causar estranhamento ao torcedor atual, mas era um elemento comum no futebol praticado no início do século XX. Sua utilização tinha função essencialmente prática: proteger a cabeça dos atletas, sobretudo durante as disputas aéreas.

As bolas daquele período eram fechadas com tiras de couro externas, que ficavam salientes após a inflação e frequentemente causavam cortes e ferimentos. O boné, portanto, cumpria um papel importante de segurança, além de refletir os costumes esportivos herdados do futebol inglês, então referência mundial.


Influência inglesa e a presença alemã na origem gremista

Identificar a origem exata do desenho e das cores do primeiro uniforme gremista exige cautela histórica. O que se pode afirmar com segurança é que o futebol inglês exerceu influência indireta sobre a fundação do clube.

O esporte chegou ao Brasil por São Paulo, trazido por Charles William Miller, e alcançou Porto Alegre por meio de figuras centrais como Cândido Dias da Silva, um dos líderes do processo de fundação do Grêmio. Paralelamente, grande parte dos fundadores do clube era composta por imigrantes alemães ou descendentes, muitos deles oriundos da região de Hamburgo.


As cores de Hamburgo e o surgimento da identidade tricolor

O Hamburger Sport Verein, tradicional clube alemão fundado em 1887, adotava — e mantém até hoje — as cores azul, preto e branco. Essas tonalidades aparecem desde os primeiros registros ligados à identidade visual do Grêmio.

Registros históricos indicam que a cor havana foi incorporada ao uniforme por insistência de Cândido Dias, possivelmente pela semelhança com o tom do couro das bolas utilizadas à época. Trata-se de um simbolismo marcante para um clube que, como se costuma dizer, nasceu de uma bola.


Um curioso elo histórico com o Hamburgo

O vínculo cromático entre Grêmio e Hamburgo atravessou décadas de forma quase simbólica. As cores herdadas do clube alemão permaneceram como marca da identidade gremista e, por um curioso acaso do destino, o Hamburgo foi o adversário do Grêmio na final do Mundial Interclubes de 1983, exatamente 80 anos após a fundação do clube gaúcho.

Naquela decisão histórica, o Hamburgo não utilizou seu uniforme tradicional, entrando em campo com camisas brancas e calções vermelhos — um contraste curioso diante da fidelidade cromática mantida pelo Grêmio ao longo de sua trajetória.


As listras horizontais e a estética do futebol inglês

O uso de listras horizontais no primeiro uniforme descrito em ata também encontra respaldo nos padrões estéticos do futebol inglês do século XIX. Diversos clubes britânicos adotavam esse tipo de desenho, o que reforça a influência indireta da Inglaterra no futebol praticado no Brasil naquele período.

Pesquisas em uniformes históricos de clubes da English League fundados antes de 1903 apontam apenas um caso com semelhança direta: o Rotherham, fundado em 1870, que utilizou camisa bicolor em azul e havana entre 1884 e 1885. O período coincide com os estudos de Charles Miller na Inglaterra, embora não haja comprovação de ligação direta.

Assim, a hipótese mais aceita é a de uma coincidência histórica, resultante da convergência entre a preferência pessoal de Cândido Dias pela cor havana e a influência germânica do azul.


A primeira fotografia oficial do Grêmio

Embora nenhuma partida oficial tenha sido disputada em 1903 — ano dedicado à organização administrativa do clube e à assimilação das regras do futebol —, a primeira fotografia oficial do Grêmio foi registrada ainda naquele período.

A imagem, originalmente em preto e branco e posteriormente colorizada, não possuía apenas caráter documental. Seu propósito era também simbólico e institucional, consolidando visualmente a identidade do clube em seus primeiros passos.


Notas históricas relevantes

1) Há referência a uma possível inspiração no uniforme do Exeter City, mencionada no livro Grêmio, Nada Pode Ser Maior, de Eduardo Bueno (Peninha). No entanto, essa associação refere-se ao segundo uniforme do clube, adotado em 1904, e não ao modelo descrito na ata de 1903.

2) O nome oficial da entidade sempre foi Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. O termo “Grêmio” designa associação, enquanto “Porto Alegrense” identifica a origem. A popularização do uso isolado de “Grêmio” ocorreu para evitar confusões com o Fussball Club Porto Alegre, rival da época.


O que eu mudei para resolver:

                            

A Origem do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense e o Episódio que Deu Início a Tudo (1903)

A origem do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense está diretamente ligada a um episódio singular do início do futebol brasileiro, ocorrido em 7 de setembro de 1903, na cidade de Porto Alegre. Diferente de muitos clubes fundados por associações esportivas formais, o nascimento do Grêmio foi resultado de uma combinação de acaso, iniciativa individual e paixão pelo novo esporte que começava a se espalhar pelo país.

Cândido Dias da Silva: o personagem central da fundação

O personagem-chave dessa história é Cândido Dias da Silva (Sorocaba, 1880 — São Paulo, 1917), comerciante paulista radicado em Porto Alegre. Em uma época em que bolas de futebol eram raras e importadas, Cândido possuía uma das poucas existentes na capital gaúcha — um detalhe que se tornaria decisivo para o futuro do futebol no Rio Grande do Sul.

O incidente na Várzea e a partida interrompida

Naquele 7 de setembro, jogadores do Sport Club Rio Grande, clube fundado em 1900 e considerado o mais antigo do Brasil em atividade, organizaram uma partida de demonstração na região da Várzea, em Porto Alegre. A equipe era formada majoritariamente por ingleses e alemães, responsáveis por difundir o futebol no sul do país.

Durante o jogo, a bola oficial utilizada na partida murchou, ameaçando encerrar a demonstração de forma precoce. O episódio poderia ter sido apenas um detalhe esquecido pela história — não fosse a atitude de um espectador atento.

O gesto que mudou a história do futebol gaúcho

Presente entre os espectadores, Cândido Dias da Silva ofereceu sua própria bola para que a partida tivesse continuidade. O gesto simples garantiu o término do jogo, mas teve consequências históricas muito maiores.

Como forma de agradecimento, os jogadores do Sport Club Rio Grande explicaram a Cândido as regras do futebol, a organização de um clube esportivo e os passos necessários para fundar uma nova agremiação. A partir daquele momento, a ideia de criar um clube em Porto Alegre deixou de ser apenas um desejo e passou a ter forma concreta.

A fundação oficial do Grêmio (15 de setembro de 1903)

Poucos dias depois, em 15 de setembro de 1903, ocorreu a reunião que oficializou a fundação do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. O encontro aconteceu no Salão Grau, localizado no centro da cidade.

Na ocasião:

O clube foi formalmente criado

Seus estatutos iniciais foram definidos

Carlos Luiz Böhrer foi eleito o primeiro presidente da história gremista

Nascia ali um clube que, décadas mais tarde, se tornaria um dos maiores vencedores do futebol brasileiro e sul-americano.

O significado histórico desse episódio para a identidade tricolor

Esse episódio não é apenas uma curiosidade histórica. Ele representa um dos pilares da identidade do Grêmio:

A iniciativa individual diante da adversidade

A importância da organização e da estrutura

A valorização do conhecimento e da preparação

O surgimento do clube a partir da ação, não da espera

A história da bola emprestada por Cândido Dias da Silva simboliza, até hoje, o espírito que acompanha o Grêmio desde sua fundação: agir quando é preciso, competir em qualquer circunstância e transformar dificuldades em oportunidades.

Acervo Grêmio Copero

Nossa missão é manter viva a rica história do Imortal Tricolor. Preservando glórias, ídolos e a paixão que move o Rio Grande.

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Como Mazaropi Salvou o Destino do Grêmio em 1983

A historiografia oficial do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense costuma apontar o dia 11 de dezembro de 1983 como o ápice da nossa existência. No entanto, para o pesquisador atento e para o torcedor que viveu o "velho" Casarão, a glória de Tóquio foi garantida seis meses antes. No dia 6 de julho de 1983, o destino do Tricolor não esteve nos pés de Renato, mas sim na palma das mãos de Geraldo Pereira de Matos Filho: o eterno Mazaropi.

A Libertadores de 1983: Um Território de Exceção

Para compreender a magnitude daquele momento, é preciso contextualizar o que era a Taça Libertadores da América na década de 80. Diferente do formato atual, o torneio era uma "guerra de atrito". Apenas os campeões e vices de cada nação participavam. O Grêmio, liderado pelo mestre Valdir Espinosa, encontrava-se no triangular semifinal, enfrentando duas potências continentais:

  1. Estudiantes de La Plata (Argentina): Conhecido pelo jogo físico e pela catimba extrema.

  2. América de Cali (Colômbia): Um esquadrão recheado de estrelas internacionais e investimento massivo.

Após um tropeço em solo colombiano, o Grêmio chegou ao dia 5 de julho de 1983 com uma única alternativa: vencer o América no Estádio Olímpico. O empate ou a derrota significariam o abismo e o fim prematuro do sonho da "América".

O Adiamento e a Cortina Branca

O jogo estava marcado para uma terça-feira à noite. Contudo, o inverno de Porto Alegre decidiu intervir. Uma neblina densa — a tradicional "serração" gaúcha — cobriu o gramado do Monumental, impedindo a visão mínima para a prática do futebol. O árbitro uruguaio Luís da Rosa adiou a partida para a tarde seguinte.

O que parecia um contratempo tornou-se um evento místico. Porto Alegre parou. Escolas e comércios fecharam as portas para que, às 15 horas de quarta-feira, sob um sol raro e brilhante, o Grêmio enfrentasse o seu destino.


A Batalha de 6 de Julho: O Jogo Minuto a Minuto

O Grêmio entrou em campo com uma formação que equilibrava operários e gênios. Abaixo, detalhamos a estrutura da equipe naquela tarde histórica:

Escalação do Grêmio (06/07/1983)

PosiçãoJogadorNotas Técnicas
GoleiroMazaropiRecém-chegado do Vasco da Gama.
DefesaPaulo Roberto, Baidek, De León e CasemiroO setor comandado pelo capitão uruguaio.
Meio-CampoChina, Osvaldo e TitaCriatividade e contenção tática.
AtaqueRenato, Caio e TarcísioVelocidade e precisão aérea.

Aos 23 minutos do primeiro tempo, Caio, o predestinado, abriu o placar de cabeça. O Olímpico explodiu, mas a tensão retornou no segundo tempo quando Battaglia empatou para os colombianos. Pouco depois, Osvaldo recolocou o Grêmio em vantagem: 2 a 1.

O Momento Decisivo: A Ponta dos Dedos de Mazaropi

Aos 24 minutos da etapa final, o silêncio tomou conta do Monumental. O árbitro assinalou um pênalti a favor do América de Cali. Naquele instante, o peso de toda a história do Grêmio recaiu sobre os ombros de Mazaropi.

O batedor colombiano disparou um "foguete" buscando o ângulo esquerdo. Mazaropi não apenas saltou; ele realizou uma extensão física que desafiou a gravidade, espalmando a bola para escanteio. Aquela defesa não impediu apenas um gol; ela impediu o colapso psicológico de um time que, meses depois, conquistaria o mundo.

Goleiro Mazaropi fazendo defesa de pênalti contra o
 América de Cali na Libertadores de 1983 no Estádio Olímpico.

Goleiro Mazaropi comemorando a defesa com a torcida


O Legado de um Recordista

Mazaropi completou 73 anos no último dia 27 de janeiro. Ele detém o recorde mundial de tempo sem sofrer gols (1.816 minutos), mas para o Acervo Grêmio Copero, seu maior feito é a preservação da alma tricolor em 1983. Sem aquela defesa, a "Batalha de La Plata" e os gols de Renato em Tóquio seriam capítulos de um livro que jamais teria sido escrito.

Resumo Estatístico da Conquista de 1983

Jogos na Campanha: 12

Vitórias: 7

Defesa de Pênalti Crucial: Mazaropi (6 de julho, contra América de Cali)

Resultado Final: Campeão da América e do Mundo.

Acervo Grêmio Copero

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Quem são os maiores artilheiros da história do Grêmio?

A história do Imortal é rica em feitos memoráveis e marcada por craques que eternizaram seus nomes nos gramados, desde o lendário Estádio Olímpico até a modernidade da nossa Arena. Conhecer os maiores goleadores é mergulhar na essência do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, fundado em 1903.

O Top 3 Histórico: Lendas Eternas

A lista dos maiores artilheiros conta com nomes que atravessaram décadas e moldaram gerações de torcedores.

Alcindo (O Bugre): O maior artilheiro de todos os tempos, com 229 gols em 378 jogos. Foi hexacampeão gaúcho e é o segundo maior goleador tricolor em GreNais, com 12 gols marcados.

Tarciso (Flecha Negra): Com 228 gols, é o recordista de jogos pelo clube (723 partidas). Conquistou o Brasileiro, a Libertadores e o Mundial em 1983.

Gessy Lima: Ocupa o terceiro lugar com 208 gols em 302 jogos, sendo parte fundamental da geração do Pentacampeonato Gaúcho entre os anos 50 e 60.

Confira o Top 10 de todos os tempos:

PosiçãoJogadorGols Marcados
Alcindo229
Tarciso228
Gessy208
Juarez204
Luiz Carvalho171
Joãozinho135
Baltazar131
Milton Kuelle129
Foguinho127
10ºMarino117

A Era Moderna: Artilheiros na Arena

Desde a inauguração da Arena do Grêmio em 2012, novos ídolos surgiram para balançar as redes na nova casa tricolor.

O líder isolado dessa nova fase é Diego Souza, que marcou 55 gols em sua passagem mais recente pelo clube. Logo atrás, figuram nomes como Everton "Cebolinha" (43 gols) e Luan (41 gols), peças-chave na conquista da Libertadores de 2017. Vale destaque para a passagem meteórica de Luis Suárez, que ostenta a melhor média da Arena, com 20 gols em apenas 29 jogos.

Análise Copera: Ver nomes como Tarciso e Alcindo no topo nos lembra que o DNA do Grêmio é feito de entrega e gols decisivos. Esse legado é o que inspira a busca por novas taças em 2026.


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